Retalhos de pensar

Amostra de momentos essencialmente centrados no pensamento, sem enfoque no molde, descaracterizados, desprovidos portanto de pretensão artística no sentido mais literário da palavra. Vem assim permitir abranger um conjunto de notas/textos de um passado já distante, alguns dos quais eventualmente de algum interesse para alguma pessoa. Não se lhes cinge porém no seu pretexto de exposição, aberto à actualização por textos recentes cujo âmbito se insira de alguma forma no supracitado.

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Localização: Lisbon, Portugal

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Seja o amor uma doença...

De 9 de Julho de 2000, este texto pretende ser lúdico. Em verdade, foi escrito a pedido de um colega alemão para o seu TPC a Português (língua estrangeira), como um comentário à temática do amor (não me recordo melhor do contexto). Aproveitei para explorar o elemento do surreal, introduzindo-o pelo contraste óbvio dos conhecimentos limitados de português do meu colega com a retórica que usei, e também pela consciente e auto-imposta leviandade com que estabelecia certas proposições, entre outras coisas... A sua professora ficou bastante atabalhoada, acrescente-se.

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Pois é... poderemos considerar o amor, uma universalmente reconhecida grande forma de expressão sentimental e por vezes artística (como se nota nos livros de Miguel Esteves Cardoso ou em algumas telenovelas mexicanas), uma peste, algo de horroroso, como qualquer vicissitude obscena?
A minha opinião diz que é somente neste aspecto que podemos transpôr o estado de espírito que é o amor para a deficiência geralmente física que é a doença, mesmo quando causada por perturbações mentais. Ou seja, o amor pode ser a causa de uma doença, na medida em que causa uma alteração de comportamento constante, não permitindo ao apaixonado libertar-se desta, até quando tudo lhe corre pelo pior. Sim porque raros não são os casos em que a namorada de alguém abandona o dito cujo para estar livre para outrém, ou simplesmente por estar farta do primeiro. É um bocado como o Maradona no futebol... passa a vida a abandonar os seus clubes, mas acaba sempre por confessar um arrependimento profundo e uma intensa vontade de cometer suícidio! Não passa sem o jogo da bola...
Ora bem, assim o amor, seja ele uma doença, é portanto uma droga, que de jogo não tem nada. Ao contrário das outras drogas, dá-se totalmente no interior da vítima, não é necessário meter pra veia ou ingerir pílulas ou assim. Nada disso, porque o amor é inteiramente psicológico, e tal como vem é passível de abandonar a nossa alma, mas díficilmente a deixa límpida, isenta de marcas. O amor, seja ele uma doença, é temido por todos mas ninguém tem coragem de o admitir, talvez porém não o seja para alguns e esses alguns consigam isolar-se completamente do sexo oposto a nível psicológico, mostrando assim que é uma doença muito relativa, variando a nível de efeitos de pessoa para pessoa.
Independentemente de isto se verificar na realidade ou não, gostava de deixar bem latente, que aquilo que sentimos por uma pessoa de quem gostamos é inegável e há que dar crédito a essa pessoa por nos conseguir cativar, nem que seja despertar somente a atenção, porque isso já nos vem mostrar que essa pessoa é positiva para nós.
E é por isso que eu não acredito que o amor seja aquilo que eu estive a explicar que pode ser, claro que isto não se aplica a toda a gente, há personalidades mais frágeis ou mais carentes, por exemplo, que não conseguem dispensar o amor. Exemplo: Freud / Macgyver. Apesar disso para mim, o amor não é uma vicissitude prejudicial, mas também não é obrigatoriamente uma coisa bonita de se ver, isto é assim, pá o amor é pra ser vivido acima de tudo e se eu não amar o amor pelo menos enquanto amando, não se trata de amor verdadeiro, trata-se de uma farsa, ou até mesmo uma simples excitação sexual.
Sim, e isto porque o amor tem dois campos o concreto, e o abstracto que se passa no nosso cérebro. Qual deles mais promíscuo, díficil de dizer... Mas que o mais intenso é o psicológico é óbvio só que há pessoas que nem fazem por o descobrir. Pobres almas. Desconhecem os prazeres da vida. O amor concreto, esse sim é uma droga como as outras, já que se trata de satisfazer um desejo vil e concreto, o sexo, ou o coito. É no abstracto que tudo se complica, como eu atrás referi e com orgulho. E não sendo virgem!