Retalhos de pensar

Amostra de momentos essencialmente centrados no pensamento, sem enfoque no molde, descaracterizados, desprovidos portanto de pretensão artística no sentido mais literário da palavra. Vem assim permitir abranger um conjunto de notas/textos de um passado já distante, alguns dos quais eventualmente de algum interesse para alguma pessoa. Não se lhes cinge porém no seu pretexto de exposição, aberto à actualização por textos recentes cujo âmbito se insira de alguma forma no supracitado.

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Localização: Lisbon, Portugal

quarta-feira, setembro 20, 2006

Acerca da sociedade

Mais uma aproximação a parte do que observo e sinto na sociedade, pequeno mote à reflexão.

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Que é que eles sabem?

É tudo uma questão de clima, de uma tensão permanente. A forma de dirigir e interpretar é vista com naturalidade, e joga-se apenas para lá disso. Do lado de lá de um circo de barreira. Sem reflexão na norma, sem cérebro que não o hábito, o sentir prematuramente as presenças em redor, a interferência permanente enquanto possível almejando a definição clara dos objectivos, meios e características de cada um, do ponto de vista do rótulo e da possibilidade de interacção associada a esse rótulo.

Custa-me, ainda, assimilar a mentalidade deste todo social, tão prevalecente. E tal é-me ainda muita estranheza, quando nas alturas em que, vagueando por entre eles, me mergulho o suficiente, despreocupação e desenvoltura, reconheço nesta estrutura de percepções e caminhos sobre a qual eles assentam, uma grande naturalidade aliada, percebo que há estabelecimentos tão profundos desta mecânica do mundo que são como que premissas do ser, sobre as quais então existe a posterior construção, como que todo o pensamento e o conteúdo presente só pudessem ser válidos se apoiados nela. Custa-me rever-me, humano, nesta mixórdia de lassitude, susceptibilidade, extroversão da frase e postura tidas como método, tidas como a obrigatoriedade enquanto membros de um padrão de eventos assumidos ou perseguidos normais, tida como parte integrante de uma despreocupação com exigências que se formou constante.

Filosofias de estar na vida, diferenças, minimizadas pelo aborrecimento de jogo que se pode tornar a interjeição, vista de fora.

quinta-feira, setembro 14, 2006

aprendizagem

De 1 de Setembro, pensamentos simples acerca de como a natureza abstracta das aprendizagens e do raciocínio se opõe à realidade, ainda que possa tender para ela.

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A aprendizagem não deve ser vista como conceitos, mas como aprendizagem. Isto, claro, se tiver mesmo de ser vista. Idealmente deve apenas servir o propósito da sua aplicação e enquadramento ideais num mundo e mente enquanto funcionamentos.
Porém, o grande problema dos esoterismos é o serem, porquanto significativos e positivamente deconstruvistas da realidade associada ao processo de iniciação, filosofias. O problema das filosofias é o não serem a sua própria significação, mas apenas, como já referido, processos.

prenúncio de sínteses

De 29 de Agosto.

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São hoje mais estilhaço e menos totalidade, as filosofias que estou. Isto porque, ainda que num dia detentor de claridade e de leveza nas energias-ânimo, a insuficiência do dia-acontecimentos se manifesta gradual premeio de um descolar de lembrança, assim mais embebida e pastosa, e portanto menos folhetim-legibilidade. A consequência disto é o tornar-se moroso o verdadeiro expressar das ditas, que eu em frequência fui coleccionando intenção, tendo em mente uma noite destas. Fica para já expresso, em definição resoluta, o estar planeado esse vindouro, para que pelo menos se saiba o haver importância efectiva no deambular último, o haver variedade de traços no desenho mental afecto à apreensão de realidades interior e exteriores, o terem estado palpáveis várias aproximações à verdade, que, sob a sombra de uma noção temerosa do desperdício, lamento não ter agarrado escrita em certos enquantos.

o algo de novo

De 13 de Julho, uma reflexão sobre uma sensação de novidade, também remetida à memória e à sugestão de outros enquadramentos que não geralmente o actual, tendo nesse aspecto alguns pontos de contacto com a reflexão anterior a esta.

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Sei que não é enquanto me afogo na inércia nocturna que umas linhas de soslaio trarão algo de novo, tão pouco nas alturas de um certo burburinho do pensamento se manifestar por palavras exaltantes do curvílineo. Onde redescubro a novidade é em raros momentos do dia em si, quando a conjunção de alguma prolongada tendência à exposição concretizada, com a posterior permanência da emotividade e propensão à recriação mental (sucessão de imaginários promissores) bastante intactas, fomentadas até, é aí que me recordo da lassitude de outros tempos, ainda que simples. É quando mais me aproximo do estar livre, no sentido social e banal da palavra. É quando, efectivamente, o estou, por um enquanto não sobrecarregado de exigência, ainda que por vezes carregado, nada que preocupe o existente então à minha tona. E nesse momento que perdura espontâneo na total largueza do termo, a alma espreguiça-se larga e limpa a lágrima de tudo o que não açambarcou, de tudo o que não aprendeu e de tudo o que viu passar-lhe por cima, os braços atados. Limpa-a com um sorriso gestual, de acto e de criativo.
O algo de novo é o que afinal seria todos os momentos, numa recuperada versão, outrora memorizada, do funcionamento e da pessoa em pé, entre iguais.
E a dor que eu sempre senti, é a dor do apagamento de alma, do inconsciente saber-me, recordar-me de facto, contraposto à tantas vezes óbvia impossibilidade nervosa de ser.

o que não foi e o que, em redor, é

De 22 de Junho, esta procura de expôr com clareza alguns pensamentos e sensações face ao passado, e a algumas que são suas consequências. O que no fim denoto, é apenas fruto do aperceber-me da dificuldade em transpôr algumas coisas de uma forma completa, porque há sempre mais factores para além dos expostos, que frequentemente acabam por não ser os mais significativos, os mais vezes verdadeiros.

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Tenho tanta pena de as coisas se terem passado assim... Tinha-me bastado a descontracção de estar, de dizer sem pensar as coisas mais banais. De poder dizer sem pensar, sem o sangue que se apressa acelerado a não o consentir, a alertar a garganta seca para o ricochete sofrido, para a dissipação de pretensões de liberdade, a desilusão que deitaria por terra o pouco à-vontade que eu podia ter, e por fim a emitir o sinal silencioso de contornar a potencialidade com um destacado disfarce de ausência ou presença estereotipada. Tinha-me bastado que isto não fosse assim tão crasso, e tudo se sucederia, pois lembro-me de se suceder nas minhas melhores alturas (independentemente de nervos ou ansiedades menores e, essas sim, mais vulgares) principalmente antes de todo esse tempo. Falo de um passado apagado pela sua natureza, uma espécie de ponto morto algures por estradas de territórios aquém-infância.

Refiro isto ao de leve, sem aquela raiva escusada, apenas com uma noção de que o que disse é demasiado impreciso, ao tê-lo expresso como se fosse uma sensação forte, ou de um género mais conciso do que aquele que pretendo, coisa que não fiz mas que talvez tenha assim parecido, dado o português. Na verdade, o que pretendi foi de alguma forma transpôr estas primeiras incompletudes, com a simplicidade da frase enquanto preâmbulo, ou parte do mesmo. Dizer determinadas coisas, ainda que não suficientemente contextualizadas.

Mas hoje, já só o hoje me pode irritar. E acima de tudo, o ver a mentalidade dos outros em relação ao que vêem. Ao que pensam verem dos outros, ao que querem ver dos outros, ao que descartam ver dos outros. As pequenas diferenças e falsos pressupostos na avaliação social. Merda, queria conseguir dizer aquilo de que estou a falar. Mas tem a ver com a soma das pessoas que observo, quando observo. Tem a ver com ter ido hoje ali, e visto tudo desenrolar-se à minha frente uma vez mais, com a típica, num novo dia renovada, semi-tentativa de envolvência no sentido natural da palavra.

Não sei o que quero. Em tempos, o que pretenderia em alturas de contenção com uma minha conversa, teria sido o mero respeito de alguém, por um aglomerado de dizeres sobre os quais me permitiria sentir. Teria sido o reconhecimento mínimo de mim por mim, fomentado e legitimidado pelo reconhecimento implícito de quem me lesse ou ouvisse, que intimamente, por curtas aspirações, seria este ou aquele. Esse ligeiro impasse sentido dar-me-ia a força para continuar, conquanto acompanhado por um sentimento de fraqueza, de um misto de uma certa culpa pela própria vontade descrita, com a impotência para contornar as minhas assumpções menos agradáveis acerca de mim mesmo, e ainda que não latentes aquele momento, facilmente evocáveis pelo silêncio ou pela característica ora impessoal ora excessiva do próprio discurso.

Penso que, neste momento, já me perdi um pouco, já estou a divagar por ideias algo destacadas do sentimento e da história a ele ligada, ainda que não em tópico, sem dúvida que na sua efectiva explanação. Portanto, há que ter uma crescente cautela ao associar isto a verdades e a estados de alma.

Da última semana de Fevereiro, esta minha curta tentativa de uma réprise simplificada do tema das dificuldades na interacção.

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Sou assim; sim, a grande essência do problema é ao nível da interacção. As coisas que aqui tenho como certas e seguras, não o tenho as suas pares no campo do activo, e, o que é pior, tenho a tendência para me vedar à sua morosa e exigente inserção nos costumes do diário entre-pessoas. Tendência essa essencialmente dos nervos, numa primeira abordagem (e que, se não devidamente monitorizada pelo moderador indiferença introspectivamente auto-incutida numa espécie de intra-sopro, se transforma numa angústia de impotência face à auto-decepção, e por fim num stress multiplamente abrupto pela ameaça social daí derivada, embora este último ponto tenda a relaxar-se um pouco na maior parte das situações), ou, numa segunda, da efectiva fadiga expressiva a que a continuidade e geral intrasigência destas dificuldades me induz, senão mesmo aquela gerada pela falta de hábito que se manifesta particularmente confusa e susceptível após períodos de maior recato.

sexta-feira, maio 12, 2006

interrogação em tempo de arrastos

De ontem de madrugada.

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Já de há bastantes dias, noto uma menor mão em mim, um arrasto social, como já o tenho vindo a fazer notar, novamente e cada vez mais patente. Volto a interessar-me pelas pequenas abstracções imediatas do palpável, pela companhia minuciosa. Volto, assim, a estar mais permeável aos igualmente pequenos desconfortos, ao cérebro a operar sobre insignificâncias difusas, mal coladas. Nestes termos, mais facilmente se me esvaziará a sensação de presença, com o acumular de insuficiências e de enganos imponderados e nervosos do imediato lasso?
Verdade é que neste recente contexto me é pouco claro se sequer me é tangível o quadro geral da identidade, do sentimento e da situação. Será que se vão perdendo as estribeiras da paz, na metafísica da incerteza?

percepção do desmoronamento

De 28 de Fevereiro, este pensamento que de certa forma dá continuidade ao da véspera, pois que é relativo às emoções que se sucedem ao excesso de variação, emoções essas de desunião interna, colapso, ameaça de ruína.

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Há toda uma precipitação dos meus sentidos em se revoltar, angustiados e inconformados, contra a confusão própria da falta de sono. Como se, após efectivada a percepção da intangibilidade de um certo modelo mental, conjunto de associações e respostas delas derivadas, face a um acontecimento ou situação, modelo esse no entanto cuja existência se pressente dado um conjunto de recordações-chave e se toma por coesa, desejável, e díspar do estado em causa, houvesse uma noção que a acompanha do desmoronamento irreversível das capacidades de manter uma qualquer linha de identidade, e que corresponde de facto à referida agonização dos sentidos. Como se, embora fruto de uma intelectualização involuntária, fosse esta interpretação sinónimo de uma esterilidade imposta ao intelecto, bem como a todos os planos de virtudes e de defesas associados à sua construção e suporte, em áreas ora mais, ora menos específicas, direccionadas tanto ao activo como ao passivo.

variação

De 28 de Fevereiro. Este texto ficou em suspenso, com a nota "Completar voltando à generalidade macroscópica". De facto, tencionava concluir com a extensão das reflexões aqui apresentadas à minha variação ao nível geral, aos modos de estar na vida que, por terem por base construções diferentes, intentos de personalidade diferentes, e por se contradizerem até, parecem em essência provir de pessoas distintas, mas na altura o sono impediu-me. Não o fiz, e tendo passsado a altura ideal de o fazer (aquela em que fazê-lo era um objectivo presente e espontâneo, correspondendo a algo que desejava transmitir), aqui fica o que aqui jaz.

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É-me muito complicado isolar a minha postura e tendências sociais da forma situacional que um passado recente tome. De facto, parece que a minha própria conjuntura histórica de ideias e, chamemos-lhe assim, valores expressivos, não é suficiente enquanto justificação dessa postura e tendências, no sentido em que, por mais clara e sólida que se possa afigurar em alturas de estabilidade, a introdução de factores da ordem da interacção e comunicação reduz o seu impacto na minha escolha e acerto intelectual e emocional. Se claramente o meu comportamento não é independente dela, não emana contudo estritamente dela, nem mesmo da sua agregação ou apenas aliança com uma conjuntura impulsiva ao nível mais puro da palavra, isto é, ao nível das emoções e reacções mais imediatas e desejáveis do ponto de vista de um subconsciente abstraído de qualquer consideração (mesmo as fundadas em aprendizagens profundas e, portanto, já praticamente impulsivas) intermédia. Há portanto uma interferência no meu processo emocional que é incoerente com aquela que eu, numa visão mais relaxada e historicamente pessoal, me proporia cometer; uma deturpação ou mesmo, no extremo, interrupção das transformações a que sujeitaria naturalmente o meu estado de processamento do circundante no âmbito de proporcionar uma sua expressão em conivência com uma certa interpretação nele imiscuída do importante, relevante, de interesse, isto entre outras eventuais condicionantes.

stress grotesco

De 21 de Fevereiro.

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Voltei a sentir um stress grotesco. Diferente de quando se está triste ou nervoso, mas "bem", ou melhor, com algum equilíbrio, alguma calma ou indiferença por baixo. Neste, haja o que houver por baixo, tudo treme. Nada é repouso, mesmo a pretensa calma não o é. À flor da pele, um ror de sensações ora de respostas impetuosamente preocupadas, ora de irreflectida tendência emocional para o negativismo, não no sentido filosófico, mas no emocional, reforço.
E no entanto, foi coisa pouca. Mero resultado de um dia de actividade social, da típica sensação de incompletude que se foi acumulando, e principalmente, de alguma gota de água no final do dia, em que já dificilmente não é demais, dificilmente se encarna o pensamento suavizador ou minimamente frontal face ao complexo. Gota de água essa, sob a típica forma de impossibilidade, de sensação de impotência exponenciada pela continuidade da mesma, face a algum contratempo ou sucessão de contratempos cuja atitude natural que invocam envolveria a comunicação clara e liberta, rara nessa altura, e de um ciclónico crescente de impossível face à submissão interpretada.
Mas caramba, já está. Hoje é hoje, e as réstias são já só réstias, cinzas a destoar na cor de pele.

exposição global - intangibilidade

De 10 de Fevereiro deste ano.

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Tem sido difícil a exposição dos factores globais e sociais. Parece que se parte qualquer elo com a perspectiva quando nos aproximamos demasiado. Tem a ver com o "zoom" da mente suponho.. Depois, resta fixar o pouco que coube no retrato em delineamento estético. É desconfortante, mas é algo, e está lançada uma pedra incompleta mas sólida para o castelo de ideias.
Enfim, tudo para quê? Se não coube, não coube... Não vale a pena já perder-me em reencontros com o funcionamento do meio, muito menos apontar-lhe o dedo à sua vastidão de pormenores dúbios de coerência. Facto é que os tempos passaram-se, e a mensagem total de um quadro universal que não atingirei não me compensaria no contra-relógio da vida. Embora não excessivamente (ressalva do não dramatismo), fui vítima nesse aspecto, e final de história.

gente que não aceita

De 27 de Janeiro de 2006, estes pensamentos algo por polir, exagerados e pouco claros na definição daquilo a que se referem, apontam no entanto para a discrepância que existe entre os círculos de pessoas do mundo e a verdade que albergam, subjacente e oculta, e é de muita importância que se levante essa questão. Seria por isso de valor conseguir abordá-la de uma forma mais fidedigna e exaustiva.

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As pessoas são engraçadas de controvérsia. Para acreditarem que certas coisas não são reflexo de auto-imposições fundeadas em desejo de transformação da realidade e negação interior, é preciso não pensar de todo nelas senão para as refutar com uma falta de argumento qualquer. Qualquer pensamento vago, fruto de constatação pessoal, é visto como uma tentativa de violação da propriedade socialmente aceitável das coisas, uma espécie de técnica de dispersão do ego impetuoso em intuitos de superioridade. É preciso tomar por bonito o que está de acordo com um determinado regulamento das coisas bonitas, e tomar por feio o que estiver no regulamento inverso, e só sob essa premissa se pode pensar. Não se pode ver a verdade - é pretensão. Não se pode agir desorientado - é parvoíce. Não se pode ser quem se é, a não ser que tal esteja ao abrigo do regulamento, há muito por caducar.
Há pessoas aprumadas de uma realidade fantoche num estado laico demasiado cristão, viciadas no convívio por comparação, na palavra de repetição, no conceito de sublime por trás de estruturas simplícias de grandeza. Outras simplesmente colmatam-se em teatros de intensidade absoluta e perigosa. Outras, ainda, ficam no seu canto, a tomar notas e a dissertar sobre o lado de lá do monóculo associal e reprimido. Toda esta gente escolheu um género de papel e uma espécie de caneta para declarar as suas Repúblicas, e nada disso é grave ou insurrecto.
A minha pena não é quem elas são; é só que às vezes não queiram ver certas coisas, que não aceitem certas coisas...

partilha e exposição social

De 8 de Janeiro deste ano. A primeira frase destes pensamentos bem podia ser relativa ao teor deste blog.

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O que fomenta isto é esta absurda necessidade de partilha, de exposição firme das coisas em análise, sem excesso de sensações agrilhoantes de exposição.
O que me agrada quando vou deambulando pelas ruas, é a gradualidade com que se alteram os estados de alma em função dessa mesma gradualidade aplicada ao grau dessa mesma exposição, de quanto ela é bem sucedida segundo a medida da conclusividade e da fluência do pensamento a descoberto, e da premissa que é a verificação, em larga escala, do inofensivo, bastante generalizado e positivo, que é o do meio. É portanto obviamente o consertar de feridas emocionais, e para lá dos pensos rápidos, o seu sarar, sem ser em concreto mais que uma situação feita de gente e de casual abordagem a essa gente.
Mesmo no fincar o pé em pensamentos próprios a voz alta, destituídos de qualquer propósito específico e de qualquer direcção individual (falar para o ar, grosso modo), se não se encara a objectividade de um diálogo, ainda que em esboço, e rapidamente destituído dessa sua condição, pelo menos treina-se sem artificialidade (e só enquanto maioritáriamente assim for) o evitar a cedência que é feita quando se concretiza à pressa uma qualquer frase, ou quando se disfarça uma forma de retrair do discurso, em vez de permitir à imaginação a sua liberdade de se concluir sem métrica nenhuma, e de se perseguir apenas na geometria do seu impulso de caçadora.

some vague guidelines

Outro tanto, estas de 1 de Janeiro deste ano.

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Todo o esforço é inútil.
Não procurar uma visão demasiado formal, nos momentos em que o vazio se instala.
Não procurar estas afirmações como o sendo.
Procurar a certeza da incerteza, e o passo em frente.
Da calma nascerá qualquer coisa convicta e clarividente, mesmo que não aborde as questões que por instantes se acumularam pessimistas e preocupantes.
Enfim.
Hoje, da agitação, observei demasiados factos sociais, demasiados rótulos, demasiada distância entre mim e mim. Tudo isso, desta forma sentida, é uma consequência da turbulência interior. Reprimir estas coisas da imaginação. Regressar aos dados que tenho como meus e proveitosos para com o meu estar.
Não necessariamente mergulhando em palavras.
Não ver tudo como um cinturão de elásticos rígido, não interpretar as apresentações catalogadas nesse sentido, mas sim como almas e pessoas por interagir.
Fugir à noção pré-concebida.
Raiva.

some vague guidelines

Uma mera síntese de pequenos pontos a ter presentes, quando possível. (13-9-2005)

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valho por quem sou.
tentar não perder o controlo sobre a importância das cenas (no sentido de gravidade).
não esquecer que o controlo que perder, não importa, o que não conseguir dizer, azar, tentar não pensar mais nisso, mas de uma forma não destrutiva, tentar relaxar em simultâneo.
não fomentar a obsessão de ter que conseguir algo que visivelmente estou a ficar demasiado nervoso para tentar, no sentido de estar a ficar demasiado stressável para manter o contacto com as vontades e para processar sem drama os acontecimentos, para não fomentar suspeitas que surjam.
sempre que bem e descontraído, aproveitar pra tentar comunicar, mas sem "auto-imposição autoritária", e durante a tentativa, acima de tudo tentar evitar o evitamento e exprimir coisas mesmo que com dificuldade, tentando saber que tal não faz diferença.
mais uma vez, quando estiver a ser dificil e começarem a sentir-se limitações como que inultrapassáveis, não faz mal. não se trata de "falhar", não se trata de ser um falhado. quando não tá a dar, não tá a dar.
tentar manter a perspectiva nos intervalos dos acontecimentos, integrando o que se passou neste género de pensamentos.

sábado, março 04, 2006

paradigmas da brevemente presente ausencia material

Este texto data de 13 de Junho de 2001, e trata, nisso semelhante ao anterior, as avaliações, aqui mais concisamente impressões, feitas do externo. Esta também abordagem pensadora centra-se porém na natureza delas "per se", ignorando o dinamismo macroscópico do conjunto que a outra referia, e reunifica essa natureza com a do ser ao introduzir o elemento Destino, separando-a porém do circundante (nisso, meramente científica).
Está mais conexo que o anterior, excepto na aparência: por oposição à correcção de imperfeições na escrita que tenho feito nos outros, neste conservo uma generalizada ausência de capitalização e acentuação, corrigindo até um sítio ou dois em que, por descuido, as não houvera omitido, por tal prática no seu conjunto formar um estilo próprio de escrita.

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o que nos deram a nos homens para que na criacao da nossa concepcao nos afastemos da simples percepcao e busquemos a interior alienaçao? seja ela qual for, eh isso que eh, e as marcas provenientes da circundante atmosfera nascem assim uma segunda vez, num outro mundo que nao este, um mundo de sonho, pesadelo, ou simplesmente um mundo inexistente, uma mixordia de sextos sentidos despertos para a irrealidade, para a fusao do que esta para tras com um presente fisicamente nulo, uma imagem sem lugar na galeria universal do tudo e dos todos...

a natureza eh a culpada, e nos eh que somos os renegados. esta imagem de que falo eh a nossa prisao a mae terra, e todo o nosso raciocinio nao passa de um artefacto evolutivo, contribuindo para a manutençao das especies. o pensar que estamos para la das animalescas leis gerais da sobrevivencia eh em si so ironico, pois estamos a seguir os planos do grande mestre Destino... nao estamos a cumprir mais que as nossas obrigaçoes induzidas pela nossa existencia e vivencia anterior, passo a passo. nao ha maneira de fugir, instante a instante, estamos perseguidos por uma irrefutabilidade cronica, e se tentarmos correr na areia, os passos que deixamos sao rastos nao do nosso escape, mas do comando a que fomos sujeitos pelas interaccoes inevitaveis do nosso passado. o nosso passado comeca algures num momento de concepcao, e nao havia maneira de o evitar.

as autoestradas estao tracadas, as curvas que damos tem de ser dadas, nao ha desvios possiveis, para os lados apenas dois grandes abismos que nos assustariam se tivessemos capacidades de os fitar... algures a estrada tambem vai chegar ao fim, e ai sim, se nos for permitido, teremos uma curta, vaga compreensao do efemero final a que estaremos entao sujeitos.

que fazer? nenhum conhecimento eh completado por nada que lhe esteja associado. os nossos pensamentos nao sao nada - sao pequenas reaccoes quimicas ao sabor do vento intersinaptico, de cujo molde interior nos ficamos dependentes, e nele confiantes, assumimos que as formas que ele toma sao equivalentes as formas reais. quando pensamos perceber o que eh um quadrado ou um circulo, esquecemonos de que dele nada temos que nolo permita interiorizar. nos baseamonos apenas em metodos de aproximacao, mas nunca teremos poder suficiente para dar o salto do conhecimento a compreensao. nada eh compreensivel, a nao ser que se seja esse algo. tu so podes perceber uma placa de madeira se fores essa placa de madeira. so ai sao realmente coincidentes, as vossas hipoteticas deformacoes, rugosidades, rachas, fissuras. e so ai tens de facto a mesma "mentalidade", por assim dizer, que essa placa. so ai consegues acompanhar em perfeicao o espacamento temporal que lhe diz respeito. so ai estaras sujeito exactamente as mesmas degradacoes, erosoes, pancadas, que a placa. so ai.

mas de nada nos serve ser placas, e de nada serve a ninguem as placas serem-nos a nos. ha que se conformar com as limitacoes fatidicas do nosso quotidiano. se a inexistencia de livre arbitrio vos aterroriza... escondamse dela! ignoremna. embora ela esteja sempre connosco, nao pensar nela eh mais saudavel. Carpe Diem!...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Ser humano

De 9 de Maio de 2001, alguns pensares respeitantes às características humanas, em esboços de argumentação e de teoretização (não mais que esboços, pouco mais que superficiais), visando aproximar melhor a forma pela qual se deveria reger o nosso espírito crítico face às avaliações que fazemos do externo, culminados em post scriptum com uma ressalva não muito a propósito nem de muito interesse, mas também não necessariamente desprovida de finalidade, pois acaba por ser um caso da relatividade de que falo acima.

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Não é o perdoar que nos torna humanos, mas sim o raciocínio, o cérebro algo mais complexo que o de um mosquito, bem como a capacidade que tais horizontes mentais nos proporciona de ter sentimentos extremamente mais subjectivos que os que a mamã natureza reservou ao mundo animal em geral, sentimentos esses que são verdadeiros estados de espírito.
A partir daí, os critérios de avaliação de pessoas são também puramente objectivos.
No entanto, os TEUS critérios e os MEUS critérios, que se diferenciam ao curso de uma série de experiências de vida, não são absolutos, só relativos, mas se pensarmos que nós próprios somos também relativos, esses critérios são relativos à nossa relatividade.
Mediante um determinado estágio da nossa evolução, podemos no maximo procurar entender até que ponto os critérios que estamos a utilizar relativamente a esse estágio são os ideais, os mais pensados, que melhor conseguem ter em atenção todos os variados aspectos de um determinado assunto que tentamos analisar. Isto multiplicado por todos os assuntos que analisamos instante a instante. Assim, para cada aspecto, se tivermos suficiente maturidade, conseguimos avaliar se estamos a aproveitar as nossas capacidades, nesse preciso momento, para esse preciso estágio da nossa evolução, bem, óptimo, mal, ou se nem sequer as estamos a utilizar.
Contudo, fora dessa escala instantânea, que só cada um de nós pode utilizar verdadeiramente, pois só cada um de nós sabe de si mesmo, não há possível comparação entre a validade das acções de cada um. Assim, é-nos também impossível conhecer a influência de algo por um prisma imparcial, ou melhor, exterior a nós próprios. Imparciais podemos sempre tentar ser, mas não gosto de o tentar fazer em excesso quando se trata da minha própria vida e decisões, pois penso que isso iria contra o meu próprio objectivo de vida: tentar aproveitá-la mediante os meus gostos mais uma série de condicionantes e expoentes que são irrelevantes para aqui,
portanto, NÃO podes dizer que perdoar é a atitude correcta, NEM podes dizer o contrário, com razão. Claro que o podes dizer generalizadamente... Mas aí estás a ignorar totalmente a tua capacidade de avaliação, pois esta não vive de provérbios ou religiões, mas sim de caso a caso, acontecimento a acontecimento, desgraça a desgraça, alegria a alegria.
Então a pergunta é: que atitude tomar perante tudo e todos?
Não há resposta. Tal como tu não podes controlar a tua própria evolução. Podes é tentar delimitá-la com certas atitudes, se no decurso dessa evolução o achares necessário e fores capaz disso.
O ódio contra os inimigos muitas vezes é consequência de não haver maneira de retomar o que já foi feito, e sentires que a perda para ti é tão grande que só mesmo esse ódio é que te pode verdadeiramente ajudar a recuperá-la. Não deves nunca tentar dizer o que está certo e errado em cenas como estas antes de tu mesmo as teres vivido, não é nada que te diga respeito pura e simplesmente. Podes tomar partidos, claro, mas por razões diversas, e para teu bem, nunca por pseudo-morais de meia-tigela que só servem para te atrofiar o uso pleno das tuas capacidades humanas que eu tenho referido.
Espero que compreendas que a sociedade não é de ninguém. Só tu é que és teu, tenta viver em função disso, e defender essa tua única, mas verdadeira, propriedade imaterial. A coisa mais valiosa que tu tens é efémera, mas não tens alternativas. Tudo o que fazes é de facto vão a partir do momento em que morres, mas enquanto vives, só é em vão visto de uma perspectiva atemporal e universal, não é em vão visto da tua perspectiva, pois estás vivo à força, por isso algo tens de sentir, sofrer, perceber, fazer, quer queiras quer não.

Peter "Sorry" Miguel

P.s.: Tudo o que está para cima, não tem de ser como eu penso no dia-a-dia, é só um pedaço do que eu penso ou posso pensar nesta fase interior, mas pressinto que é um pedaço com umas coisas ou outras que repetidamente me tem preenchido a vida. Limitei-me a aprender o que algumas dessas coisas significavam na minha linguagem interior, e tentei transpôr para o português, que embora língua de uma grande pátria, ainda tem muitas limitações na fronteira com a metafísica, que todos sabemos que existe, que todos atravessamos, mas que todos desconhecemos. C'est la vie.

E a morte que não vem...

De 3 de Maio de 2001, esta semi-formalização dos sentimentos do Fatalista e do Pária que me são inerentes.

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A consciência de si mesmo é independente das condições externas: embora possa advir delas, não as influencia. Sim senhor, eu consigo ver a vida pelos meus olhos, é certo que conheço muitos limites, e sei que o infinito do meu mundo se torna finito com o meu próprio fim, mais precisamente, torna-se nulo.
Eu penso conseguir pensar nas coisas que me irão desligar o pensamento e adivinhar aproximadamente a minha mediocricidade que lhes está adjacente. Lógico que, seguindo a mais simples e linear ligação de pensamentos, isso me faz concluir que devo viver, enquanto sobrevivente.
Tudo isto é-me mais que claro e a simplicidade destes factos já me levou a tentar consumá-los, já me tornou sedento de viver perante o estado vegetal anterior à minha auto-consciencialização, procurar passar da inércia à natural e irreflectida actividade! Contudo, é-me invariavelmente obstruída a passagem: quanto mais tento, mais falho, e, consequentemente, mais me falta a vontade de ultrapassar as barreiras para curtir ao máximo a descida pelo grande, fatal Abismo existencial.
E o pior é que quanto mais me falta a vontade, mais me reconheço perdido, mais que sou a própria catábase, psicologicamente (e apenas isso) personificada. E quanto mais desço, mais urge a necessidade de viver, e menor é a capacidade de o fazer.
Fixe... sei quem sou, e também o que sou: matéria a apodrecer, prestes a desfazer-se e a levar-me com ela, para o vazio, que não é nem longe, nem perto; sei que não vou fazer jamais aquilo que infelizmente não faço estes dias, e sei que, quando até a minha presença se evaporar, eu nem isto saberei. Nada mau, saber aquilo que a Igreja não sabe... deter o conhecimento de que milhões e milhões de fiéis laquejam, iludindo-se... E daí?? Quem me dera acreditar, quem me dera voltar a ser cristão, arrancar a noção da morte que há em mim da minha mente, tendo-a simplesmente reservada para o final. Não porque me alegre especialmente concordar, e, pior ainda, obedecer cegamente a um deus fictício, somente para anestesiar a dor de o saber, e de saber que de nada me serve sabê-lo.
Invejo ainda especialmente aqueles que o sabem e que conseguem viver em função de o saber, os autênticos epicuristas, que me parecem também bastante fictícios quando os comparo à minha fraca e débil realidade.
Como me falta toda essa postura, e como sei demais para ser cristão, sobra-me arranjar alguma coisa com que me entreter, vendo tudo a passar e sabendo que cada segundo que passa é como que um quilo a menos na minha alma para fazer a diferença do vácuo total e absoluto, sem razão, sentimento, ou nem mesmo sono consolador.
Plenamente de acordo com as críticas que um campónio possa dirigir ao rico e estático cidadão, assumo-me como estou: pré-digerido e doente, muito doente, febril e irremediavelmente doente. Mais ainda, em alturas de introspecção, atormentam-me os restos de vivência convulsivos no meu raquítico estômago, sem alimento desde que, ao crescer, esmaguei as débeis ilusões que a própria infância, impossível de ser contentada, me proporcionava. Enquanto criança, não acreditando no Pai Natal, fingia que sim, e recebia sempre prendas. Os sonhos eram todo o meu eu, e bastavam, pois que somos nós ao princípio, senão sonhos? Só que agora tenho sonhos por demais concretos para que me satisfaçam, e morro de fome, e apetece-me morrer de outras coisas que não de fome.
É por isso que eu admito, em último caso, a planeada fuga desta tormenta. Espero, claro, que isso não venha a acontecer, quanto mais não seja, graças ao permanente instinto de sobrevivência, pois esse não depende de nós, mas a esperança só não chega, pois eventualmente esgota-se, e é por isso que, sem a desejar, admito a hipótese de vir a cometer suicídio. Até porque é mais fácil aceitar a realidade para ela não nos surpreender. E afinal de contas, até nem é mais fácil contornar certas realidades e lidar com situações difíceis conhecendo-as, aceitando-as?
Pelos vistos, não...
Há mortes demasiadamente implantadas nos meus genes para que eu possa criar vida pra tapá-las. Chamem-lhe impotência, de que me serve negá-lo, se não me torno mais viril ao fazê-lo? Ou será que simplesmente não o consigo?
São coisas da vida, aliás, no que me toca, as coisas da vida. E quem diz coisas diz fiascos, diz desilusões, eu próprio o digo, mas sou o único. Não há lugar para mim. Estou eternamente desencaixado, e sei que devo retornar para a caixa antes que ma esmigalhem de uma vez por todas.
Quero vir-me a toda a hora, foder a lei que me fode, da Natureza e a do Estado, poder cagar sempre que me fartar da merda no meu interior. Quero abrir-me todo perante mim mesmo, deixar escoar todas as minhas virgindades, afundar-me nas belas pernas da Medusa, que anda por aí, por todo o lado, por fora, e por dentro; abrir-lhe de rompante aquele seu grosso clitóris, afogar-me nas suas húmidas erecções, preenchê-la em toda a sua profundidade, dar-lhe enfim o sémen efervescente e palpitante do meu pénis que não tenho, e aí sim, inevitavelmente, olhar-lhe nos olhos, petrificar, como todos os demais, depois de a ter feito gritar como nunca gritou antes, deixar na sua memória estes saudosos tempos de doloroso prazer, abandonar forçadamente tudo, sem no entanto me arrepender da essência desse tudo.
Sonhos semelhantes, enchia vinte mil páginas com eles; é deles que eu estou farto, quase tanto como da falta deles... mas enquanto existirem, existirei, deprimido, em cínica e obcecada letargia, lado a lado com o meu Ninguém.

Peter “Dead” Miguel

Isto tá-me a dar dores de cabeça... Vou ficar por aqui, porque não há razões para continuar, tal como não havia razão para começar, pois nada disto leva a nada, ou se leva, não se nota...

Seja o amor uma doença...

De 9 de Julho de 2000, este texto pretende ser lúdico. Em verdade, foi escrito a pedido de um colega alemão para o seu TPC a Português (língua estrangeira), como um comentário à temática do amor (não me recordo melhor do contexto). Aproveitei para explorar o elemento do surreal, introduzindo-o pelo contraste óbvio dos conhecimentos limitados de português do meu colega com a retórica que usei, e também pela consciente e auto-imposta leviandade com que estabelecia certas proposições, entre outras coisas... A sua professora ficou bastante atabalhoada, acrescente-se.

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Pois é... poderemos considerar o amor, uma universalmente reconhecida grande forma de expressão sentimental e por vezes artística (como se nota nos livros de Miguel Esteves Cardoso ou em algumas telenovelas mexicanas), uma peste, algo de horroroso, como qualquer vicissitude obscena?
A minha opinião diz que é somente neste aspecto que podemos transpôr o estado de espírito que é o amor para a deficiência geralmente física que é a doença, mesmo quando causada por perturbações mentais. Ou seja, o amor pode ser a causa de uma doença, na medida em que causa uma alteração de comportamento constante, não permitindo ao apaixonado libertar-se desta, até quando tudo lhe corre pelo pior. Sim porque raros não são os casos em que a namorada de alguém abandona o dito cujo para estar livre para outrém, ou simplesmente por estar farta do primeiro. É um bocado como o Maradona no futebol... passa a vida a abandonar os seus clubes, mas acaba sempre por confessar um arrependimento profundo e uma intensa vontade de cometer suícidio! Não passa sem o jogo da bola...
Ora bem, assim o amor, seja ele uma doença, é portanto uma droga, que de jogo não tem nada. Ao contrário das outras drogas, dá-se totalmente no interior da vítima, não é necessário meter pra veia ou ingerir pílulas ou assim. Nada disso, porque o amor é inteiramente psicológico, e tal como vem é passível de abandonar a nossa alma, mas díficilmente a deixa límpida, isenta de marcas. O amor, seja ele uma doença, é temido por todos mas ninguém tem coragem de o admitir, talvez porém não o seja para alguns e esses alguns consigam isolar-se completamente do sexo oposto a nível psicológico, mostrando assim que é uma doença muito relativa, variando a nível de efeitos de pessoa para pessoa.
Independentemente de isto se verificar na realidade ou não, gostava de deixar bem latente, que aquilo que sentimos por uma pessoa de quem gostamos é inegável e há que dar crédito a essa pessoa por nos conseguir cativar, nem que seja despertar somente a atenção, porque isso já nos vem mostrar que essa pessoa é positiva para nós.
E é por isso que eu não acredito que o amor seja aquilo que eu estive a explicar que pode ser, claro que isto não se aplica a toda a gente, há personalidades mais frágeis ou mais carentes, por exemplo, que não conseguem dispensar o amor. Exemplo: Freud / Macgyver. Apesar disso para mim, o amor não é uma vicissitude prejudicial, mas também não é obrigatoriamente uma coisa bonita de se ver, isto é assim, pá o amor é pra ser vivido acima de tudo e se eu não amar o amor pelo menos enquanto amando, não se trata de amor verdadeiro, trata-se de uma farsa, ou até mesmo uma simples excitação sexual.
Sim, e isto porque o amor tem dois campos o concreto, e o abstracto que se passa no nosso cérebro. Qual deles mais promíscuo, díficil de dizer... Mas que o mais intenso é o psicológico é óbvio só que há pessoas que nem fazem por o descobrir. Pobres almas. Desconhecem os prazeres da vida. O amor concreto, esse sim é uma droga como as outras, já que se trata de satisfazer um desejo vil e concreto, o sexo, ou o coito. É no abstracto que tudo se complica, como eu atrás referi e com orgulho. E não sendo virgem!