Ser humano
De 9 de Maio de 2001, alguns pensares respeitantes às características humanas, em esboços de argumentação e de teoretização (não mais que esboços, pouco mais que superficiais), visando aproximar melhor a forma pela qual se deveria reger o nosso espírito crítico face às avaliações que fazemos do externo, culminados em post scriptum com uma ressalva não muito a propósito nem de muito interesse, mas também não necessariamente desprovida de finalidade, pois acaba por ser um caso da relatividade de que falo acima.
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Não é o perdoar que nos torna humanos, mas sim o raciocínio, o cérebro algo mais complexo que o de um mosquito, bem como a capacidade que tais horizontes mentais nos proporciona de ter sentimentos extremamente mais subjectivos que os que a mamã natureza reservou ao mundo animal em geral, sentimentos esses que são verdadeiros estados de espírito.
A partir daí, os critérios de avaliação de pessoas são também puramente objectivos.
No entanto, os TEUS critérios e os MEUS critérios, que se diferenciam ao curso de uma série de experiências de vida, não são absolutos, só relativos, mas se pensarmos que nós próprios somos também relativos, esses critérios são relativos à nossa relatividade.
Mediante um determinado estágio da nossa evolução, podemos no maximo procurar entender até que ponto os critérios que estamos a utilizar relativamente a esse estágio são os ideais, os mais pensados, que melhor conseguem ter em atenção todos os variados aspectos de um determinado assunto que tentamos analisar. Isto multiplicado por todos os assuntos que analisamos instante a instante. Assim, para cada aspecto, se tivermos suficiente maturidade, conseguimos avaliar se estamos a aproveitar as nossas capacidades, nesse preciso momento, para esse preciso estágio da nossa evolução, bem, óptimo, mal, ou se nem sequer as estamos a utilizar.
Contudo, fora dessa escala instantânea, que só cada um de nós pode utilizar verdadeiramente, pois só cada um de nós sabe de si mesmo, não há possível comparação entre a validade das acções de cada um. Assim, é-nos também impossível conhecer a influência de algo por um prisma imparcial, ou melhor, exterior a nós próprios. Imparciais podemos sempre tentar ser, mas não gosto de o tentar fazer em excesso quando se trata da minha própria vida e decisões, pois penso que isso iria contra o meu próprio objectivo de vida: tentar aproveitá-la mediante os meus gostos mais uma série de condicionantes e expoentes que são irrelevantes para aqui,
portanto, NÃO podes dizer que perdoar é a atitude correcta, NEM podes dizer o contrário, com razão. Claro que o podes dizer generalizadamente... Mas aí estás a ignorar totalmente a tua capacidade de avaliação, pois esta não vive de provérbios ou religiões, mas sim de caso a caso, acontecimento a acontecimento, desgraça a desgraça, alegria a alegria.
Então a pergunta é: que atitude tomar perante tudo e todos?
Não há resposta. Tal como tu não podes controlar a tua própria evolução. Podes é tentar delimitá-la com certas atitudes, se no decurso dessa evolução o achares necessário e fores capaz disso.
O ódio contra os inimigos muitas vezes é consequência de não haver maneira de retomar o que já foi feito, e sentires que a perda para ti é tão grande que só mesmo esse ódio é que te pode verdadeiramente ajudar a recuperá-la. Não deves nunca tentar dizer o que está certo e errado em cenas como estas antes de tu mesmo as teres vivido, não é nada que te diga respeito pura e simplesmente. Podes tomar partidos, claro, mas por razões diversas, e para teu bem, nunca por pseudo-morais de meia-tigela que só servem para te atrofiar o uso pleno das tuas capacidades humanas que eu tenho referido.
Espero que compreendas que a sociedade não é de ninguém. Só tu é que és teu, tenta viver em função disso, e defender essa tua única, mas verdadeira, propriedade imaterial. A coisa mais valiosa que tu tens é efémera, mas não tens alternativas. Tudo o que fazes é de facto vão a partir do momento em que morres, mas enquanto vives, só é em vão visto de uma perspectiva atemporal e universal, não é em vão visto da tua perspectiva, pois estás vivo à força, por isso algo tens de sentir, sofrer, perceber, fazer, quer queiras quer não.
Peter "Sorry" Miguel
P.s.: Tudo o que está para cima, não tem de ser como eu penso no dia-a-dia, é só um pedaço do que eu penso ou posso pensar nesta fase interior, mas pressinto que é um pedaço com umas coisas ou outras que repetidamente me tem preenchido a vida. Limitei-me a aprender o que algumas dessas coisas significavam na minha linguagem interior, e tentei transpôr para o português, que embora língua de uma grande pátria, ainda tem muitas limitações na fronteira com a metafísica, que todos sabemos que existe, que todos atravessamos, mas que todos desconhecemos. C'est la vie.
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Não é o perdoar que nos torna humanos, mas sim o raciocínio, o cérebro algo mais complexo que o de um mosquito, bem como a capacidade que tais horizontes mentais nos proporciona de ter sentimentos extremamente mais subjectivos que os que a mamã natureza reservou ao mundo animal em geral, sentimentos esses que são verdadeiros estados de espírito.
A partir daí, os critérios de avaliação de pessoas são também puramente objectivos.
No entanto, os TEUS critérios e os MEUS critérios, que se diferenciam ao curso de uma série de experiências de vida, não são absolutos, só relativos, mas se pensarmos que nós próprios somos também relativos, esses critérios são relativos à nossa relatividade.
Mediante um determinado estágio da nossa evolução, podemos no maximo procurar entender até que ponto os critérios que estamos a utilizar relativamente a esse estágio são os ideais, os mais pensados, que melhor conseguem ter em atenção todos os variados aspectos de um determinado assunto que tentamos analisar. Isto multiplicado por todos os assuntos que analisamos instante a instante. Assim, para cada aspecto, se tivermos suficiente maturidade, conseguimos avaliar se estamos a aproveitar as nossas capacidades, nesse preciso momento, para esse preciso estágio da nossa evolução, bem, óptimo, mal, ou se nem sequer as estamos a utilizar.
Contudo, fora dessa escala instantânea, que só cada um de nós pode utilizar verdadeiramente, pois só cada um de nós sabe de si mesmo, não há possível comparação entre a validade das acções de cada um. Assim, é-nos também impossível conhecer a influência de algo por um prisma imparcial, ou melhor, exterior a nós próprios. Imparciais podemos sempre tentar ser, mas não gosto de o tentar fazer em excesso quando se trata da minha própria vida e decisões, pois penso que isso iria contra o meu próprio objectivo de vida: tentar aproveitá-la mediante os meus gostos mais uma série de condicionantes e expoentes que são irrelevantes para aqui,
portanto, NÃO podes dizer que perdoar é a atitude correcta, NEM podes dizer o contrário, com razão. Claro que o podes dizer generalizadamente... Mas aí estás a ignorar totalmente a tua capacidade de avaliação, pois esta não vive de provérbios ou religiões, mas sim de caso a caso, acontecimento a acontecimento, desgraça a desgraça, alegria a alegria.
Então a pergunta é: que atitude tomar perante tudo e todos?
Não há resposta. Tal como tu não podes controlar a tua própria evolução. Podes é tentar delimitá-la com certas atitudes, se no decurso dessa evolução o achares necessário e fores capaz disso.
O ódio contra os inimigos muitas vezes é consequência de não haver maneira de retomar o que já foi feito, e sentires que a perda para ti é tão grande que só mesmo esse ódio é que te pode verdadeiramente ajudar a recuperá-la. Não deves nunca tentar dizer o que está certo e errado em cenas como estas antes de tu mesmo as teres vivido, não é nada que te diga respeito pura e simplesmente. Podes tomar partidos, claro, mas por razões diversas, e para teu bem, nunca por pseudo-morais de meia-tigela que só servem para te atrofiar o uso pleno das tuas capacidades humanas que eu tenho referido.
Espero que compreendas que a sociedade não é de ninguém. Só tu é que és teu, tenta viver em função disso, e defender essa tua única, mas verdadeira, propriedade imaterial. A coisa mais valiosa que tu tens é efémera, mas não tens alternativas. Tudo o que fazes é de facto vão a partir do momento em que morres, mas enquanto vives, só é em vão visto de uma perspectiva atemporal e universal, não é em vão visto da tua perspectiva, pois estás vivo à força, por isso algo tens de sentir, sofrer, perceber, fazer, quer queiras quer não.
Peter "Sorry" Miguel
P.s.: Tudo o que está para cima, não tem de ser como eu penso no dia-a-dia, é só um pedaço do que eu penso ou posso pensar nesta fase interior, mas pressinto que é um pedaço com umas coisas ou outras que repetidamente me tem preenchido a vida. Limitei-me a aprender o que algumas dessas coisas significavam na minha linguagem interior, e tentei transpôr para o português, que embora língua de uma grande pátria, ainda tem muitas limitações na fronteira com a metafísica, que todos sabemos que existe, que todos atravessamos, mas que todos desconhecemos. C'est la vie.

1 Comments:
Muito lúcido!
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