Retalhos de pensar

Amostra de momentos essencialmente centrados no pensamento, sem enfoque no molde, descaracterizados, desprovidos portanto de pretensão artística no sentido mais literário da palavra. Vem assim permitir abranger um conjunto de notas/textos de um passado já distante, alguns dos quais eventualmente de algum interesse para alguma pessoa. Não se lhes cinge porém no seu pretexto de exposição, aberto à actualização por textos recentes cujo âmbito se insira de alguma forma no supracitado.

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Localização: Lisbon, Portugal

sexta-feira, maio 12, 2006

partilha e exposição social

De 8 de Janeiro deste ano. A primeira frase destes pensamentos bem podia ser relativa ao teor deste blog.

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O que fomenta isto é esta absurda necessidade de partilha, de exposição firme das coisas em análise, sem excesso de sensações agrilhoantes de exposição.
O que me agrada quando vou deambulando pelas ruas, é a gradualidade com que se alteram os estados de alma em função dessa mesma gradualidade aplicada ao grau dessa mesma exposição, de quanto ela é bem sucedida segundo a medida da conclusividade e da fluência do pensamento a descoberto, e da premissa que é a verificação, em larga escala, do inofensivo, bastante generalizado e positivo, que é o do meio. É portanto obviamente o consertar de feridas emocionais, e para lá dos pensos rápidos, o seu sarar, sem ser em concreto mais que uma situação feita de gente e de casual abordagem a essa gente.
Mesmo no fincar o pé em pensamentos próprios a voz alta, destituídos de qualquer propósito específico e de qualquer direcção individual (falar para o ar, grosso modo), se não se encara a objectividade de um diálogo, ainda que em esboço, e rapidamente destituído dessa sua condição, pelo menos treina-se sem artificialidade (e só enquanto maioritáriamente assim for) o evitar a cedência que é feita quando se concretiza à pressa uma qualquer frase, ou quando se disfarça uma forma de retrair do discurso, em vez de permitir à imaginação a sua liberdade de se concluir sem métrica nenhuma, e de se perseguir apenas na geometria do seu impulso de caçadora.