Retalhos de pensar

Amostra de momentos essencialmente centrados no pensamento, sem enfoque no molde, descaracterizados, desprovidos portanto de pretensão artística no sentido mais literário da palavra. Vem assim permitir abranger um conjunto de notas/textos de um passado já distante, alguns dos quais eventualmente de algum interesse para alguma pessoa. Não se lhes cinge porém no seu pretexto de exposição, aberto à actualização por textos recentes cujo âmbito se insira de alguma forma no supracitado.

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Localização: Lisbon, Portugal

sexta-feira, maio 12, 2006

gente que não aceita

De 27 de Janeiro de 2006, estes pensamentos algo por polir, exagerados e pouco claros na definição daquilo a que se referem, apontam no entanto para a discrepância que existe entre os círculos de pessoas do mundo e a verdade que albergam, subjacente e oculta, e é de muita importância que se levante essa questão. Seria por isso de valor conseguir abordá-la de uma forma mais fidedigna e exaustiva.

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As pessoas são engraçadas de controvérsia. Para acreditarem que certas coisas não são reflexo de auto-imposições fundeadas em desejo de transformação da realidade e negação interior, é preciso não pensar de todo nelas senão para as refutar com uma falta de argumento qualquer. Qualquer pensamento vago, fruto de constatação pessoal, é visto como uma tentativa de violação da propriedade socialmente aceitável das coisas, uma espécie de técnica de dispersão do ego impetuoso em intuitos de superioridade. É preciso tomar por bonito o que está de acordo com um determinado regulamento das coisas bonitas, e tomar por feio o que estiver no regulamento inverso, e só sob essa premissa se pode pensar. Não se pode ver a verdade - é pretensão. Não se pode agir desorientado - é parvoíce. Não se pode ser quem se é, a não ser que tal esteja ao abrigo do regulamento, há muito por caducar.
Há pessoas aprumadas de uma realidade fantoche num estado laico demasiado cristão, viciadas no convívio por comparação, na palavra de repetição, no conceito de sublime por trás de estruturas simplícias de grandeza. Outras simplesmente colmatam-se em teatros de intensidade absoluta e perigosa. Outras, ainda, ficam no seu canto, a tomar notas e a dissertar sobre o lado de lá do monóculo associal e reprimido. Toda esta gente escolheu um género de papel e uma espécie de caneta para declarar as suas Repúblicas, e nada disso é grave ou insurrecto.
A minha pena não é quem elas são; é só que às vezes não queiram ver certas coisas, que não aceitem certas coisas...