Retalhos de pensar

Amostra de momentos essencialmente centrados no pensamento, sem enfoque no molde, descaracterizados, desprovidos portanto de pretensão artística no sentido mais literário da palavra. Vem assim permitir abranger um conjunto de notas/textos de um passado já distante, alguns dos quais eventualmente de algum interesse para alguma pessoa. Não se lhes cinge porém no seu pretexto de exposição, aberto à actualização por textos recentes cujo âmbito se insira de alguma forma no supracitado.

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Localização: Lisbon, Portugal

sexta-feira, maio 12, 2006

variação

De 28 de Fevereiro. Este texto ficou em suspenso, com a nota "Completar voltando à generalidade macroscópica". De facto, tencionava concluir com a extensão das reflexões aqui apresentadas à minha variação ao nível geral, aos modos de estar na vida que, por terem por base construções diferentes, intentos de personalidade diferentes, e por se contradizerem até, parecem em essência provir de pessoas distintas, mas na altura o sono impediu-me. Não o fiz, e tendo passsado a altura ideal de o fazer (aquela em que fazê-lo era um objectivo presente e espontâneo, correspondendo a algo que desejava transmitir), aqui fica o que aqui jaz.

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É-me muito complicado isolar a minha postura e tendências sociais da forma situacional que um passado recente tome. De facto, parece que a minha própria conjuntura histórica de ideias e, chamemos-lhe assim, valores expressivos, não é suficiente enquanto justificação dessa postura e tendências, no sentido em que, por mais clara e sólida que se possa afigurar em alturas de estabilidade, a introdução de factores da ordem da interacção e comunicação reduz o seu impacto na minha escolha e acerto intelectual e emocional. Se claramente o meu comportamento não é independente dela, não emana contudo estritamente dela, nem mesmo da sua agregação ou apenas aliança com uma conjuntura impulsiva ao nível mais puro da palavra, isto é, ao nível das emoções e reacções mais imediatas e desejáveis do ponto de vista de um subconsciente abstraído de qualquer consideração (mesmo as fundadas em aprendizagens profundas e, portanto, já praticamente impulsivas) intermédia. Há portanto uma interferência no meu processo emocional que é incoerente com aquela que eu, numa visão mais relaxada e historicamente pessoal, me proporia cometer; uma deturpação ou mesmo, no extremo, interrupção das transformações a que sujeitaria naturalmente o meu estado de processamento do circundante no âmbito de proporcionar uma sua expressão em conivência com uma certa interpretação nele imiscuída do importante, relevante, de interesse, isto entre outras eventuais condicionantes.